Com uma localização extraordinária, mesmo em cima do rio Douro, e um design arquitetónico bastante apelativo que provoca a ilusão de uma borda infinita, a famosa piscina da Quinta do Crasto foi projetada no início deste século pelo Arquiteto Eduardo Souto de Moura – vencedor do prémio Pritzker em 2011, o prémio maior da Arquitetura mundial – e construída e concluída há mais de uma década. Uma das características mais notáveis da Arquitetura é possibilidade de criar ilusões óticas consoante o ângulo de observação. Apesar de ilusoriamente a piscina provocar a perceção a quem a observa lado a lado de que a sua forma de borda infinita é um retângulo, na realidade, trata-se de uma questão de perspectiva, já que o formato da piscina tem a figura geométrica de um trapézio, ou seja, possui dois lados – as extremidades – paralelos entre si e as laterais são na verdade duas diagonais: uma, do lado da parede de xisto, “entra” ligeiramente no deck de madeira onde estão as mesas, as espreguiçadeiras e os guarda-sóis e, a outra, do lado do rio e de ângulo mais acentuado, parece sustida no ar sobre o Douro formando o famoso canto da piscina no qual ninguém resiste a tirar uma fotografia dado o fabuloso enquadramento paisagístico. Em algumas imagens da Quinta do Crasto, aéreas ou tiradas com distanciamento de pontos mais elevados, é possível obter esta perspetiva única do formato em trapézio, percecionando claramente que a extremidade da piscina do lado do rio é arquitetonicamente mais larga do que a extremidade do lado da quinta, construída assim para conseguir mais iluminação natural em toda a área envolvente e tirar o máximo partido deste local premium.

Posicionada num dos pontos mais altos e privilegiados da Quinta do Crasto, a piscina tem sido ao longo da última década, motivo para muitas visitas e reportagens em meios de comunicação nacionais e internacionais. Em 2011, a piscina da Quinta do Crasto surgiu no momento final do filme promocional do Turismo de Portugal – «Portugal, The beauty of simplicity» – que foi utilizado em várias ações promocionais do País, como feiras, eventos e sessões oficiais de divulgação, complementando a campanha internacional que decorreu naquele ano em países como a Alemanha, a Espanha, o Reino Unido, a Dinamarca, a França, a Holanda, a Irlanda, a Noruega, a Suécia, a Rússia e a Polónia, entre outros locais. O filme promocional de quatro minutos «Portugal, The beauty of simplicity» apresentava imagens dos principais “ativos” turísticos do País e arrecadou inúmeros prémios internacionais em festivais de cinema e de turismo.

Entre 2015 e 2016, a SIC realizou a telenovela Coração d’Ouro que tinha o Vale do Douro como um dos cenários principais do enredo da história e, mais especificamente, o enquadramento paisagístico da piscina da Quinta do Crasto em algumas das cenas protagonizadas por atores como Rita Blanco, João Reis, Mariana Pacheco, Diana Chaves, entre outros intervenientes desta história bem portuguesa. Em abril de 2016, a telenovela Coração D’Ouro venceu o prémio de Melhor Telenovela do Mundo no New York Festival’s World’s Best TV & Films.

A piscina parece ter borda infinita vista a partir do deck, de onde a maior parte dos visitantes admira o rio Douro e a paisagem das encostas do vale. Mas a piscina não é menos bonita do ângulo contrário, a partir do qual é possível apreciar em pleno esta obra arquitetónica notória de Eduardo Souto de Moura, bem como as encostas de xisto que a envolvem. Este é um local especial na Quinta do Crasto e onde se percebe claramente as características do terroir do Douro, uma vez que a parede natural de xisto que aqui se encontra exemplifica magnificamente a composição do solo, ao permitir observar os enormes pedaços laminados de xisto tão característicos do solo desta majestosa região vinhateira.

Aqui, tudo está sempre calmo e envolto numa enorme serenidade que se instala em quem visita a propriedade, em consonância com a imponente paisagem que envolve a piscina. Apetece mergulhar, repousar dentro de água no canto da piscina voltado para o Rio Douro, contemplar este monumento natural moldado pelo Homem, inspirar longamente e apenas viver o momento… Para usufruir com tempo.